Inserir as meninas na matemática e incentivá-las nas profissões da área de exatas, que ainda são, em sua maioria, ocupadas por homens. Este é um dos objetivos do projeto “Meninas Olímpicas”, desenvolvido desde o ano passado na Rede Municipal. A iniciativa acontece desde 2019 na capital Fluminense e São Francisco de Itabapoana é o primeiro município do Norte Fluminense a participar.
Segundo o coordenador de Matemática do Fundamental 2 da Secretaria Municipal de Educação, Cultura e Tecnologia (SMECT), Ediomar Alexim dos Santos, o projeto visa ainda a mostrar a matemática de uma forma mais divertida e interessante para as meninas. A ideia é trabalhar a matéria de forma mais leve e divertida, com jogos, desafios e atividades diferentes. Assim, as alunas aprendem brincando e desenvolvendo o raciocínio lógico sem aquela pressão tradicional. Por enquanto, o projeto é desenvolvido na Escola Municipal Miguel Nunes Barbosa, em Estreito, mas a ideia é ampliar para outras unidades.
— Com isso, muitos conteúdos que antes não despertavam interesse acabam se tornando mais interessantes e fáceis de entender. A matemática passa a ser vista de outra forma: mais próxima, mais simples e até divertida. Além disso, o projeto ajuda a aumentar a confiança das alunas e mostra que elas são totalmente capazes de aprender e se destacar na Matemática — destacou Ediomar.

Moradora em Imburi e estudante do 4º período de Licenciatura em Matemática na Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf), Bianca Paulino entrou no projeto ano passado e disse que o trabalho com as alunas da Escola Municipal Miguel Nunes têm sido uma experiência muito interessante, na qual tem aprendido continuamente.
— Tem sido enriquecedor poder conviver com cada uma delas, proporcionar o contato com a matemática e acompanhar o desenvolvimento de seus talentos sendo colocados em prática. Essa vivência tem sido fundamental para a minha formação, pois o contato direto torna o aprendizado mais significativo. Fazer parte desse projeto também é importante para identificar e valorizar talentos que muitas vezes estão ocultos em instituições localizadas em áreas mais interiorizadas — ressaltou Bianca.
De acordo com a estudante, o projeto é fundamental para a valorização da presença feminina nas ciências exatas. Em sua avaliação, é essencial romper os estereótipos e paradigmas que, ao longo do tempo, contribuíram para a ausência das mulheres no campo da ciência.
— Nós, como mulheres, somos plenamente capazes de ocupar e nos destacar em todas as áreas que despertam o nosso interesse. É importante promover uma reflexão sobre o quanto é necessário aproximar as mulheres da ciência. No âmbito das ciências exatas, o protagonismo feminino revela-se não apenas fundamental, mas também determinante para o avanço da equidade e para o fortalecimento do desenvolvimento científico e tecnológico — argumentou a estudante.
